29 novembro, 2009

"Lá em casa tem um poço. Mas a água é muito limpa."



Inclino a cabeça em direção ao travesseiro. Difícil conciliar o excesso de fora com a opacidade de dentro. Monotomia vem aos baldes, enxarca o corpo e inunda o momento. Penso nas felicidades incertas e confusões diárias. Paciência deveria vir junto com a tempestade, derrubar muros e alcançar degraus, invadir sem pedir licença e implorar presença, gritar atenção dizendo não à omissão. Não se encontra caminhos fora de si.
Olhas pra si e vês claramente o interior: é o seu íntimo. Mesmo ele estando cansado de procuras próprias, arranca das coisas um motivo mínimo para seguir.
A estrela cadente não bate à tua janela à espera de um pedido. O sol não brilha só para iluminar a tua vida escura e úmida. As estrelas não acendem luz para clarear a tua confusão, nem se escondem com medo de suas idéias esclarecidas. Somos ímpares. Únicos e indivisíveis.
Metades vêm e voltam com o vento. Não precisas delas e nem das meias verdades.
Levanto. "Respirar é uma oração que nada pede".

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Que seja doce.

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"Você nunca se viu como – não sei como descreveria – como uma dessas pessoas que gostam de olhar a lua ou que passam horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber de que tipos de pessoas estou falando. Talvez não saiba."

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