23 dezembro, 2011
“Te comporia uma canção bonita feito Chico, ou um soneto como Camões. Mas as palavras, meu bom senhor, do mesmo jeito que me salvam, se ordenam ao redor do meu pescoço, estrangulando-me com sorrisos que constroem frases inteiras de pesar. Mas a beleza, senhor, não me convém. Não sou poeta, tampouco escritor. Ainda me dou ao desrespeito de afrontar legados pronunciando minha voz em rabiscos no papel. Mas que se revirem os corpos de José de Alencar e Clarice Lispector no túmulo, porque a escrita, meu senhor, também é dos que veem sublimidade mas não sabem transmiti-la com o mesmo sabor da fruta madura. A sujam com suas mãos desprezíveis e, indelicadas, a matam. Porque a escrita é também sobre a beleza do que é esquecido, do que perde a força do voo e desfalece sem sentidos ao chão.”
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Que seja doce.
- Nathália Brunini
- "Você nunca se viu como – não sei como descreveria – como uma dessas pessoas que gostam de olhar a lua ou que passam horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber de que tipos de pessoas estou falando. Talvez não saiba."
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